1977 O fim da agonia
Após a conquista de 1954, o Corinthians amargurou 22 anos de fila, até que no dia 13 de outubro de 1977, outra vez com Osvaldo Brandão como técnico, o Timão quebrou o tabu, voltando a ser Campeão Paulista.
Foram três jogos na decisão com a Ponte Preta de Campinas. No primeiro, o mineiro Palhinha, que viera do Cruzeiro, fez um gol literalmente com a cara e a coragem, no rebote de uma defesa do goleiro campineiro Carlos, e o Timão ganhou de 1 a 0. Estava tudo pronto para a festa que deveria acontecer no domingo seguinte.
Moumbi lotado por mais de 140 mil corinthianos, recorde que jamais será batido nesse estádio. Vaguinho, outro mineiro, este vindo do Atlético, faz 1 a 0 para o Corinthians. Ele havia acabado de entrar no lugar de Palhinha, desgradaçamente machucado no começo do jogo. A ponte vira para 2 a 1 e adia a festa. Nunca o Morumbi se parecera tanto com o Maracanão de 1950. Mas tinha o terceiro jogo.
Na segunda-feira, em clima de velório e tensão no Parque São Jorge, o técnico Osvaldo Brandão vai ao departamento médico para verificar o estado de Palhinha e o encontra já de saída após ter feito o tratamento. “Como é, Palha, dá pra jogar ?”, pergunta o velho mestre. “Acho que não, seu Brandão. Dói até pra andar”, responde o craque. “Se dá pra andar, dá pra jogar. Pior é a minha dor, que não consegue nem levantar da cama, Palha”, replicou Brandão, cujo filho, paixão de sua vida, se encontrava em estado terminal, tomado por um câncer.
No último jogo, o gol milagroso foi marcado aos 36 minutos do segundo tempo por Basílio que recebeu da torcida o apelido de Pé de Anjo . O pé direito de São Basílio, o Libertador, pegou aquela bola… Foi assim : Zé Maria, o Super-Zé, cobrou uma falta na altura do bico direito da grande área, pondo ali pela marca do pênalti. São Basílio subiu aos céus e cabeceou para Vaguinho, quase na pequena área. Vagão Vaguinho pegou de esquerda e mandou a danada contra o travessão. Gol vazio, Wladimir cabeceou de volta e a bola foi de encontro à cabeça de Oscar, zagueiro-central da Ponte Preta, voltando em direção ao pé direito de São Basílio e… não queira saber mais. O embaçamento é total. Impossível descrever o que aconteceu dali por diante.
Palhinha, de fato, não conseguiu entrar em campo para a finalíssima. Mas o que ele jogou a partir daquele momento para que o time fosse campeão ficou registrado como um dos momentos mais comoventes e grandiosos da história do futebol. Ele conseguiu contagiar a equipe inteira com o relato da cena que vivera com Brandão e tirou de cada um a promessa de que o título viria e seria dedicado ao pai e ao filho, que, logo depois, faleceu.
A festa do título foi alguma coisa jamais vista. O país inteiro saiu às ruas para comemorar a conquista que tardara mas não falhara.
Árbitro : Dulcídio Vanderlei Boschilia.
Corinthians : Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir Gonçalves e Vladimir; Russo, Luciano e Basílio; Vaguinho, Geraldão e Romeu. Técnico : Osvaldo Brandão.
Ponte Preta : Carlos, Jair Picerni, Oscar, Poloi e Ãngelo; Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei e Tuta (Parraga). Técnico : Zé Duarte.
Renda : CR$ 3.325.470,00 (moeda da época)
Público Pagante : 86.677
Expulsões : Rui Rei, Oscar e Geraldão.
