ÁLCOOL E CORAÇÃO: QUAL A DOSE CERTA PARA A SAÚDE? | Vim Saber

ÁLCOOL E CORAÇÃO: QUAL A DOSE CERTA PARA A SAÚDE?

sexta-feira, julho 3, 2009

Por Dr Marcelo Pazolini
A Sociedade atual e o consumo de Álcool

Historicamente, alguns hábitos presentes em nossa sociedade têm sido considerados verdadeiros símbolos de comportamento, destacando-se entre estes o tabagismo e a utilização de bebidas alcoólicas. Os derivados alcoólicos, em suas mais diversas formas de apresentação, representam o mais comum e aceito modo de utilizacão de substâncias associados com situações de prazer, relaxamento e diversão. Mas quais os efeitos do álcool em nosso organismo? Qual o limite entre o consumo alcoólico dito social e aquele considerado como “etilismo ”?

Os efeitos do álcool em nosso organismo

As alterações induzidas pelo álcool em nosso organismo são complexas e dependem da dose utilizada e do tempo de uso do mesmo. Na área neurológica e comportamental, o álcool determina o aparecimento de sensação de relaxamento, diminuição da inibição, euforia e agitação psicomotora; ocorre lentificação dos reflexos e diminuição do nível de atenção (fato este facilmente comprovado pelas conseqüências desastrosas de dirigir veículo automotor embriagado). No sistema cardiovascular, o álcool induz aumento dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, alterações no ritmo cardíaco e aumento dos níveis de triglicerídeos no sangue. Os efeitos na função do fígado são progressivos e cumulativos, determinando com o tempo a ocorrência do tecido hepático com o surgimento da cirrose e insuficiência hepática.
Mais importante, o álcool é uma substância com potencial de causar dependência. Neste ponto, torna-se necessário para a pessoa a utilização freqüente, diária e em quantidades cada vez maiores das bebidas alcoólica para a manutenção do estado de equilíbrio da pessoa.

Existe uma “dose certa” de álcool para a nossa saúde?

A resposta para essa pergunta depende de vários fatores. Caso a pessoa seja portadora de doenças do fígado, doenças cardiovasculares (como a hipertensão arterial) ou esteja em uso de medicações que possam alterar a função hepática (comO alguns antibióticos) ou para tratamento de distúrbios comportamentais (como medicações para ansiedade ou depressão), é prudente e aconselhável a não utilização do álcool. Se você é uma pessoa saudável, o álcool pode ser usado com moderação, em doses pequenas e ocasionais, de modo a não interferir na sua saúde e comportamento.

O vinho para a ser a única bebida alcoólica, quando consumido em baixas doses, com efeitos benéficos para o nosso organismo. Substâncias presentes na casca de uvas utilizadas na fabricação do vinho tinto, chamadas de flavanóides, parecem proteger o sistema cardiovascular através da redução dos níveis de colesterol.

Um brinde a sua saúde!

Entre os hábitos socialmente aceitos, o consumo de bebidas alcoólicas merece atenção e reflexão por parte do usuário e pessoas próximas a este. Principalmente em adolescentes, a percepção deficiente do uso freqüente das bebidas alcoólica e a possibilidade do álcool ser uma ponte para o uso de drogas ilícitas devem ser abordados de forma construtiva e clara pelos familiares, no sentido de orientar e alertar os jovens para os riscos envolvidos no uso de bebidas alcoólicas.
Enfim, a sensação de bem estar e relaxamento deve provir principalmente do seu relacionamento com suas pessoas queridas e íntimas. O álcool eventualmente pode estar presente nestas situações, mas nunca como o elemento principal da motivação do seu bem estar. Lembre-se que sua saúde física e mental não podem depender de um copo de bebida alcoólica, e sim da interação construtiva e equilibrada do seu organismo com o meio ambiente físico, social e psicológico em que você vive. Brinde, portanto, `a sua saúde não com um copo de bebida, mas sim com compreensão, paciência e respeito para com você mesmo e as pessoas que o cercam.

O alcoolismoO alcoolismo é e deve ser tratado como uma doença. Trata-se de uma doença crônica, caracterizada pelo consumo incontrolado de bebidas alcoólicas, o que acaba interferindo na saúde física e mental do indivíduo, trazendo drásticas conseqüências para a sua vida social, familiar e profissional.

A dependência do álcool pode se desenvolver num prazo de cinco a 25 anos, progredindo acentuadamente. Inicialmente, a pessoa vai se tornando mais tolerante ao álcool, adquirindo uma capacidade cada vez maior de consumo, sem sentir seus efeitos prejudiciais.

Com o tempo, o dependente começa a sofrer falta de memória e, conseqüentemente, perde o controle sobre o consumo da bebida. Quando ele menos espera, já não consegue mais parar de beber, aumentando sua necessidade incontrolável de se manter alcoolizado.

O álcool afeta também o sistema nervoso central, deixando a pessoa menos produtiva e mais ansiosa, irritada e tensa, comprometendo sua capacidade de concentração, julgamento
e desempenho profissional. Consumido em grande quantidade, o álcool provoca intoxicação e até envenenamento, podendo levar ao coma alcoólico e à morte.

CAUSAS DO ALCOOLISMO

Vários fatores contribuem para o desenvolvimento da doença, mas cada caso é um caso.

Na família, por exemplo, se um dos pais é alcoólatra, a probabilidade do filho desenvolver a doença se torna grande. A razão disso não é conhecida, mas anormalidades genéticas ou bioquímicas podem ser consideradas, assim como fatores psicológicos, baixa auto-estima, decepções amorosas etc.

Fatores sociais, como a facilidade de acesso ao álcool, aceitação social do vício e estilo de vida estressante, também incentivam o alcoolismo.

PRINCIPAIS CONSEQÜÊNCIAS DO CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS

Reflexo ZEROO consumo excessivo de álcool pode causar tremedeira, coceira, inchaço, falta de coordenação motora, perda de memória, dores musculares, diarréia, impotência sexual, interrupção do ciclo menstrual, alterações cerebrais e neurológicas, problemas cardíacos, pancreatite e cirrose hepática.

A ingestão de álcool durante a gravidez pode causar problemas no desenvolvimento do feto, conhecidos como síndrome alcoólica fetal.

DOENÇAS CAUSADAS PELO ALCOOLISMO

Câncer do aparelho gastrointestinal
Mais de 80% dos cânceres que surgem na boca, laringe, faringe e estômago podem estar relacionados ao consumo de álcool em conjunto com o hábito de fumar. Alguns estudos indicam que o câncer de reto e de cólon podem ter alguma relação com o alcoolismo.

Azia
O álcool enfraquece o músculo da parte inferior do esôfago, permitindo que o conteúdo ácido do estômago suba até o esôfago, causando azia, irritação e até úlcera.

Úlcera péptica
A úlcera péptica é um doloroso ferimento no tecido do estômago ou do duodeno que pode ser causada pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Para quem já sofre do problema, o álcool pode interferir em sua cura, prejudicando a recuperação dos tecidos.

Doença do fígado
Quando a pessoa bebe, uma parte do álcool é absorvida imediatamente pela parede do estômago. Por isso beber com o estômago vazio é mais prejudicial à saúde. A outra parte do álcool é metabolizada pelas enzimas do fígado, que devido ao excesso de trabalho começa a acumular gordura, tornando-se grduroso. Se o indivíduo continuar bebendo, o tecido do fígado pode se danificar, causando hepatite alcoólica, cirrose, ascite e até a morte.

PREVENÇÃO CONTRA O ALCOOLISMO

- A maneira mais fácil de prevenir o alcoolismo é não consumir bebidas alcoólicas, ou fazê-lo moderadamente.
- Beba socialmente, sem ultrapassar seu limite de tolerância, e não fume.
- Tenha uma alimentação equilibrada à base de frutas, legumes e verduras.
- Reveja seu grupo de amigos; ele pode estar incentivando o consumo abusivo da bebida.
- Pratique esportes, viaje, leia mais, ouça mais música, assista a bons filmes, converse com seus amigos: estas são alternativas de lazer e qualidade de vida que podem inibir o consumo de bebida alcoólica.
- Não misture bebidas alcoólicas.
- Não dirija após consumir bebidas alcoólicas.
- Medicamentos anti-ressaca não impedem os efeitos prejudiciais do álcool e podem afetar ainda mais o seu estômago.

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